quarta-feira, 20 de julho de 2011

Entre-atos

Dos meios que vivi:
O das pernas del@ foram
os mais ditosos.

Eu, no sossego

Eu sossegaria, na boa,
se alguém interessante,
de palavras e ações cuidadas,
de coração compromissado,
que fosse descomplicad@
madur@ e essencial - e
bem situad@ geograficamente:
aparecesse e permanecesse.


50%

Um vento me bateu na cabeça,
Sussurrou gelado frases de um amor
incandescente e inexistente
Me fez segurar na ramagem para me manter em pé,
Sacudiu as árvores, remexeu as nuvens..
E eu
ali – 
"_Será que eu deveria me deixar ir?"

Cenário

Minha indisposição inexiste.
O meu não é contraditório,
poroso,  confuso
paradoxo, precário:
quando estou no teu cenário.

:/

Senso de sentir
Não se pode pedir
a todo mundo que tenha...
Que pena!

Debaixo da saia

Quero morar debaixo da saia da moça:
rendada,
de veludo cotelê,
cambraia,
algodão,
justinha-apertada
larguinha,...
E viver entre as coxas da mulher amada.

Sensação

Eu vi lá, sentada em mim,
uma serenidade de gato siamês
bem tratado pela vida.

Eu vi lá, aportada em mim,
uma nau de saltimbancos.
Caos de despreparo.

Conceitos e perspectivas

Me fez pensar em conceitos...

Gostosinho:  dormir aconchegado,  ver filme com chuva e frio,  sentar no colo,  pic nic na praia, andar de mãos dadas, cafuné, massagem para relaxar, falar no final do dia, fazer carinho na barriga,  beijar de mansinho, rapidinhas na casa da mãe, rapidinhas na casa do pai, dividir sobremesa, beijo gelado, dormir de conchinha, ...

Eu penso que bom sexo não pode ser gostosinho.

Warning sign

Olha: eu não tenho tempo para
não me toques,
não me fales,
não posso,
não sei,
"será que devo?"
Por favor,
não  me venha com parvalhices e
esses infantis desassossegos.

Eu não tenho tempo para
contradições,
contra-adições,
frases de efeito,
frases – defeito
Fingir que não quero comer
quando meu desejo verte
pelos olhos
e arde  na minha boca

Eu não tenho tempo...
E me desculpe, mas quem se demora
tanto para provar essa fruta, não merece comê-la
 porque falta a paixão necessária,
a febre de possuí-la
a volúpia para absorvê-la.

(E, por fim...Para que tanto drama se vejo
o desejo-estranhamento
nos olhos.
e teu pensamento
que me (é) chama?)

Modular confissão

"_Eu? Já...
Já fantasiei contigo..."

Contrato social

I

Ela morre de medo
que todo mundo descubra
 que ela não é extra-ordinária...
Que ela não passa e só é: ordinária.


II
Tem gente que para ordinária,
precisa da clareza da perspicácia,
o talento da interpretação,
a psicopatia moderna no trato social,
a sociopatia...
Tem gente que para ordinária:
não falta nada.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

The who






Penso no alguém
que se reconforte no aconchego
e que arda lento no leito.

Eu, hoje



Hoje me excitei,
rouca,
com as sílabas
de minha própria voz.

Fame

Eu detesto levar fama
e não deitar na cama.


Mix

Delicicadamente.
Minha pequena e humilde contribuição à la Guimarães Rosa

Jack Agüeros

I
Eu quero gritar à palavra.
Porque o poeta não pode mais.
Eu quero dizer “_Venha a mim, doce,
luxuriante, tensa, dolorida, auspiciosa e venenosa
(palavra) que te espero, rendida,
 sempre chegar no momento
mais desacorçoado e acalorado
E me trazes a serenidade absoluta
 dos que não tem nada a temer,
dos que gozam satisfeitos.
Eu quero gritar a Palavra.
Porque (a do) um poeta morreu.

II
Eu: não cabia em mim
de pena quando vi.
O flagelo grandioso daquele homem:
o poeta sem palavras.
O poeta sem memória da delícia da palavra
escorrendo
quente-quente sangue adentro.
Palavra que abre espaço na carne e
dá voz ao querer morrer de sentir
e salva do afogamento,
 nos desertos alheios.

E agora o que será dele sem escafandro?
Nessa aguá  turva e rasa, de maré baixa
e profunda  -  de oceano negro? 
O poeta sem memória, assim ,
exposto na única nudez indecente.
 Desencantado de dar dó.
O poeta foi embora e deixou o homem ali:
No aguardo desumano de morrer,
A olhos vistos, de tristeza e
Só.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O que não conheci

Quero que me venha a cabeça mil palavras
para te nominar: mulher que não conheci.
Palavras donas de cheiros,
de candura, úmidas, descaradas
 balbuciadas,
emaranhadas.

Mezzo Gregório de Mattos

Queria poder vomitar por dias, se fosse para me livrar da vergonha rubra pelas palavras de amor, e toda a candura que enunciei.
“Descompactaria carnes, músculos e com firmeza de bisturi" desfaria a mão erotizada, o tracejar dos dedos na pele, o apalpar no supermercado... Ou, fustigaria sem dó, como Marina Colassanti: “mesmo os sentimentos entretecidos nas fibras, como invisíveis ligaduras daquele palpitar...”
Queria eu resgatar cada carinho, toque e cuidado daquele canyon de
falsidade, mentira e hipocrisia, que atende por um nome, que se diz de gente, mas que é o avesso.
E me rio, imersa em cinismo, de seu sexo cheios de reprovações e mau caratismos.E me pergunto se existirá número suficiente de banhos nessa encarnação para me livrar do tato comum-convencional-trivial del@.
Queria eu expulsar de mim toda essa estranheza de não ter lido a sociopatia, a doença ali, aconchegada, vizinha. E ainda penso no tempo perdido, e lamento os escrotos dias e belas luas perdidas.

Meu lamúrio estampado em neon azul.

Eu me apercebo como quem já há muito soubesse e tinha perdido o senso , que do bom e cálido contato humano, precisamos, para não sucumbir as inverdades“quiméricas” (míticas e utópicas e fantasiosas) que nos assediam descaradamente e que nos fazem perder a medida com o próprio bem estar absoluto ...

E como a poesia me absolve, consumida como fogo desprovido do oxigênio , a fúria se consome, porque, ora, não haverá dia, que eu não abençoe o momento que @ corrompid@ deixou
meu teto e a minha vida.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A vontade

Ansiar
ancião.


Meu pequeno ato de rebeldia ou "Repúdio as Palavras"


Eu quero, sinceramente,
repudiar as Palavras.
Pensei-as amigas, de dormir no peito, dividir idéias, soçobrar desejos, fiéis depositárias...No entanto, descobri-as, vulgares, sórdidas e baratas, travestidas de doçura. Essas companheiras, me fizeram chafurdar em esgotos e ver dias e noites brotarem confusos, perdidos, incompreensíveis, enquanto nascia de mim doente paciência.

Foram, no entanto, as Palavras que gritaram nos meus olhos – porque, parece, eu “andava entorpecida de tristeza e descontentamento, alheia a vida, (elas me disseram, tentando amenizar o fato e o efeito ).
Gritaram alto, e reverberou um eco de doer no vazio que coube  - imenso – no músculo perfeito, guardado agora em casamata ; bem escondido, dentro do peito.

Por causa delas, abdiquei da sanidade por segundos, para cair no colo úmido e frio de uma ausência repleta de memórias, nas páginas e mais páginas que as Palavras me trouxeram como respostas, e no buraco na carne, aglutinação de sentires, que desmanchava gelado, onde há pouco havia vibrante carne...

Eu já havia percebido que el@ era um@ cuteleir@ e que, acompanhadas Del@, as Palavras ganhavam outro fio, e abriam rasgos finos e profundos.
Depois averigüei que mansas Palavras também eram amigas Del@, mas se deixavam partilhar distante de mim... Em um quase-outro idioma de afetos e vontades... E penei.
Então, eu quero, pelo menos por esse segundo, repudiar as Palavras, e depois, docemente perdoá-las, porque, elas são também a razão e o motivo da minha libertação.

E meu amor por elas é eterno, terno e quente e as Palavras moram dentro de mim, e se acumulam, e me explicam, e me vestem e alimentam,
até na ausência de mim.

Equívoco

                                     


 
Palavras não tem sexo,
nem gênero ou etnia,  ...
Palavras tem destino.

Na ponta

Eu tenho na ponta da língua:
 beijo, verso, ...
Frase tarada
e matreira.

Eu


Ando abusada.
Ando sem medida e descabida
Impaciente.
Valso perigosa (e
mansa?) pelo dia.

Permissivo ato

Mulher se seduz com palavras,
se pega com vontade,
se beija carnudo...
Mulher se possui deliciosamente,
através do compromisso da permissão.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Das frutas

I
Gente é como pitanga...
Umas são muito verdes para comer.

II

Me sinto  um pouco vampira,
tomando suco de melancia

domingo, 5 de junho de 2011

Epílogo

Ando puta...
Não só da cara.

Do prazer das letras







Cio:
coito.


Dilema em dois atos

Quebro todas as regras?
Ou fujo do fabuloso destino?
Eu rio do meu singelo dilema.

A vida não é um filme francês


I
Verborragia (como a de muitos filmes franceses) para mim é doença ...

(Verborragia pode esconder contenção do sentir 
ou hemorragia crônica afetiva não tratada.)

Eu prefiro a eficácia das palavras acionadas e dos verbos flexionados.


II
Palavras são combustível.
Quem me tira o fôlego: é a ação.

Bota amarela

Adoro a franqueza de certas
poucas
mulheres que
cansaram,
há bom tempo,
de dar satisfações sobre a bota amarela,
o vestido de bolinhas,
a barriga de fora.

Do Encontro

Saudade nos olhos, e cada qual ansiando por um pedaço do corpo do outro.
Primeiro chega a mão.
Depois, braço-ante-braço-palma-da-mão-nas-costas, deslizando até a nuca - envolvendo os ombros - apertar o corpo – reduzir espaços: abraçar... 
Amalgamar aquele encaixe perfeito.
 ...E ... "Ahhhh... esse teu cheiro...”, pensa o pensamento.



Falso Conto de Fadas


El@ não consegue esconder o pêlo cinzento de lobo.
O casaco de pele de cordeirinho é demasiado curto para esconder a verdadeira faceta.  

Versos soltos

Gostaria de voltar a fazer versos de amor.
Uma maturidade meio-dura me assenta um sorriso no canto dos lábios.
...
...
...
 E, além de tudo, eu já faço versos de amores.

Minha pressa

Eu ando sem pressa...
Sem
pre
s
s
a
.
.
.
(Mentira!)

Existem mulheres que fazem doer.
Que dói de luxuriantes: (n)os olhos engolidos
       pelo fogo da volúpia,         
no meio-sorriso de fazer escrav@s,
na mansidão lasciva dos (a)braços invisíveis...
Existem sim, mulheres que fazem doer, assim.