Queria poder vomitar por dias, se fosse para me livrar da vergonha rubra pelas palavras de amor, e toda a candura que enunciei.
“Descompactaria carnes, músculos e com firmeza de bisturi" desfaria a mão erotizada, o tracejar dos dedos na pele, o apalpar no supermercado... Ou, fustigaria sem dó, como Marina Colassanti: “mesmo os sentimentos entretecidos nas fibras, como invisíveis ligaduras daquele palpitar...”
Queria eu resgatar cada carinho, toque e cuidado daquele canyon de
falsidade, mentira e hipocrisia, que atende por um nome, que se diz de gente, mas que é o avesso.
Queria eu expulsar de mim toda essa estranheza de não ter lido a sociopatia, a doença ali, aconchegada, vizinha. E ainda penso no tempo perdido, e lamento os escrotos dias e belas luas perdidas.
Meu lamúrio estampado em neon azul.
Eu me apercebo como quem já há muito soubesse e tinha perdido o senso , que do bom e cálido contato humano, precisamos, para não sucumbir as inverdades“quiméricas” (míticas e utópicas e fantasiosas) que nos assediam descaradamente e que nos fazem perder a medida com o próprio bem estar absoluto ...
E como a poesia me absolve, consumida como fogo desprovido do oxigênio , a fúria se consome, porque, ora, não haverá dia, que eu não abençoe o momento que @ corrompid@ deixou
meu teto e a minha vida.

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