quarta-feira, 13 de julho de 2011

Jack Agüeros

I
Eu quero gritar à palavra.
Porque o poeta não pode mais.
Eu quero dizer “_Venha a mim, doce,
luxuriante, tensa, dolorida, auspiciosa e venenosa
(palavra) que te espero, rendida,
 sempre chegar no momento
mais desacorçoado e acalorado
E me trazes a serenidade absoluta
 dos que não tem nada a temer,
dos que gozam satisfeitos.
Eu quero gritar a Palavra.
Porque (a do) um poeta morreu.

II
Eu: não cabia em mim
de pena quando vi.
O flagelo grandioso daquele homem:
o poeta sem palavras.
O poeta sem memória da delícia da palavra
escorrendo
quente-quente sangue adentro.
Palavra que abre espaço na carne e
dá voz ao querer morrer de sentir
e salva do afogamento,
 nos desertos alheios.

E agora o que será dele sem escafandro?
Nessa aguá  turva e rasa, de maré baixa
e profunda  -  de oceano negro? 
O poeta sem memória, assim ,
exposto na única nudez indecente.
 Desencantado de dar dó.
O poeta foi embora e deixou o homem ali:
No aguardo desumano de morrer,
A olhos vistos, de tristeza e
Só.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O que não conheci

Quero que me venha a cabeça mil palavras
para te nominar: mulher que não conheci.
Palavras donas de cheiros,
de candura, úmidas, descaradas
 balbuciadas,
emaranhadas.

Mezzo Gregório de Mattos

Queria poder vomitar por dias, se fosse para me livrar da vergonha rubra pelas palavras de amor, e toda a candura que enunciei.
“Descompactaria carnes, músculos e com firmeza de bisturi" desfaria a mão erotizada, o tracejar dos dedos na pele, o apalpar no supermercado... Ou, fustigaria sem dó, como Marina Colassanti: “mesmo os sentimentos entretecidos nas fibras, como invisíveis ligaduras daquele palpitar...”
Queria eu resgatar cada carinho, toque e cuidado daquele canyon de
falsidade, mentira e hipocrisia, que atende por um nome, que se diz de gente, mas que é o avesso.
E me rio, imersa em cinismo, de seu sexo cheios de reprovações e mau caratismos.E me pergunto se existirá número suficiente de banhos nessa encarnação para me livrar do tato comum-convencional-trivial del@.
Queria eu expulsar de mim toda essa estranheza de não ter lido a sociopatia, a doença ali, aconchegada, vizinha. E ainda penso no tempo perdido, e lamento os escrotos dias e belas luas perdidas.

Meu lamúrio estampado em neon azul.

Eu me apercebo como quem já há muito soubesse e tinha perdido o senso , que do bom e cálido contato humano, precisamos, para não sucumbir as inverdades“quiméricas” (míticas e utópicas e fantasiosas) que nos assediam descaradamente e que nos fazem perder a medida com o próprio bem estar absoluto ...

E como a poesia me absolve, consumida como fogo desprovido do oxigênio , a fúria se consome, porque, ora, não haverá dia, que eu não abençoe o momento que @ corrompid@ deixou
meu teto e a minha vida.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A vontade

Ansiar
ancião.


Meu pequeno ato de rebeldia ou "Repúdio as Palavras"


Eu quero, sinceramente,
repudiar as Palavras.
Pensei-as amigas, de dormir no peito, dividir idéias, soçobrar desejos, fiéis depositárias...No entanto, descobri-as, vulgares, sórdidas e baratas, travestidas de doçura. Essas companheiras, me fizeram chafurdar em esgotos e ver dias e noites brotarem confusos, perdidos, incompreensíveis, enquanto nascia de mim doente paciência.

Foram, no entanto, as Palavras que gritaram nos meus olhos – porque, parece, eu “andava entorpecida de tristeza e descontentamento, alheia a vida, (elas me disseram, tentando amenizar o fato e o efeito ).
Gritaram alto, e reverberou um eco de doer no vazio que coube  - imenso – no músculo perfeito, guardado agora em casamata ; bem escondido, dentro do peito.

Por causa delas, abdiquei da sanidade por segundos, para cair no colo úmido e frio de uma ausência repleta de memórias, nas páginas e mais páginas que as Palavras me trouxeram como respostas, e no buraco na carne, aglutinação de sentires, que desmanchava gelado, onde há pouco havia vibrante carne...

Eu já havia percebido que el@ era um@ cuteleir@ e que, acompanhadas Del@, as Palavras ganhavam outro fio, e abriam rasgos finos e profundos.
Depois averigüei que mansas Palavras também eram amigas Del@, mas se deixavam partilhar distante de mim... Em um quase-outro idioma de afetos e vontades... E penei.
Então, eu quero, pelo menos por esse segundo, repudiar as Palavras, e depois, docemente perdoá-las, porque, elas são também a razão e o motivo da minha libertação.

E meu amor por elas é eterno, terno e quente e as Palavras moram dentro de mim, e se acumulam, e me explicam, e me vestem e alimentam,
até na ausência de mim.

Equívoco

                                     


 
Palavras não tem sexo,
nem gênero ou etnia,  ...
Palavras tem destino.

Na ponta

Eu tenho na ponta da língua:
 beijo, verso, ...
Frase tarada
e matreira.

Eu


Ando abusada.
Ando sem medida e descabida
Impaciente.
Valso perigosa (e
mansa?) pelo dia.

Permissivo ato

Mulher se seduz com palavras,
se pega com vontade,
se beija carnudo...
Mulher se possui deliciosamente,
através do compromisso da permissão.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Das frutas

I
Gente é como pitanga...
Umas são muito verdes para comer.

II

Me sinto  um pouco vampira,
tomando suco de melancia

domingo, 5 de junho de 2011

Epílogo

Ando puta...
Não só da cara.

Do prazer das letras







Cio:
coito.


Dilema em dois atos

Quebro todas as regras?
Ou fujo do fabuloso destino?
Eu rio do meu singelo dilema.

A vida não é um filme francês


I
Verborragia (como a de muitos filmes franceses) para mim é doença ...

(Verborragia pode esconder contenção do sentir 
ou hemorragia crônica afetiva não tratada.)

Eu prefiro a eficácia das palavras acionadas e dos verbos flexionados.


II
Palavras são combustível.
Quem me tira o fôlego: é a ação.

Bota amarela

Adoro a franqueza de certas
poucas
mulheres que
cansaram,
há bom tempo,
de dar satisfações sobre a bota amarela,
o vestido de bolinhas,
a barriga de fora.

Do Encontro

Saudade nos olhos, e cada qual ansiando por um pedaço do corpo do outro.
Primeiro chega a mão.
Depois, braço-ante-braço-palma-da-mão-nas-costas, deslizando até a nuca - envolvendo os ombros - apertar o corpo – reduzir espaços: abraçar... 
Amalgamar aquele encaixe perfeito.
 ...E ... "Ahhhh... esse teu cheiro...”, pensa o pensamento.



Falso Conto de Fadas


El@ não consegue esconder o pêlo cinzento de lobo.
O casaco de pele de cordeirinho é demasiado curto para esconder a verdadeira faceta.  

Versos soltos

Gostaria de voltar a fazer versos de amor.
Uma maturidade meio-dura me assenta um sorriso no canto dos lábios.
...
...
...
 E, além de tudo, eu já faço versos de amores.

Minha pressa

Eu ando sem pressa...
Sem
pre
s
s
a
.
.
.
(Mentira!)

Existem mulheres que fazem doer.
Que dói de luxuriantes: (n)os olhos engolidos
       pelo fogo da volúpia,         
no meio-sorriso de fazer escrav@s,
na mansidão lasciva dos (a)braços invisíveis...
Existem sim, mulheres que fazem doer, assim.

Aniz no suco

Aniz estrelado, que nasceu
para deixar exótico,
o olfato,
e para surpreender o palato.

Mais um@

Me disseran hoje, pelo msn,
que “huahauhuhauhauha” era
 muito adolescente para mim.
...
Eu achei que el@ era diferente,
mas o que havia de diferente nel@
 era eu.
Agora é apenas mais um@.

Elogio

Eu falei:
“_ Você está deslumbrante na saia.”
E ela voltou sem calcinha para casa.

Questão:

Como resolver um caso de absoluta falta de bom senso estético em uma bela mulher ?

Resistência

Eu não costumo resistir,
quando quero.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Repetitivo-cansativo

repetitivorepetitivorepetitivorepetitivo
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repetitivorepetitivorepetitivor
repetitivorepetitivorepetitivo

Isso não é cansativo?

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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Personas

Superficial:
relativo à superfície; 
não profundo;
que não é sólido 
e bem fundado;
falso; aparente;
leve; exterior; 
leviano...
Muita gente.

Olhando







@s chei@s de pudor que me perdoem:
mas eu adoro observar gente no cio.


Reflexão





Eu ando assim refletindo : odnitelfer
Eu odna assim: reflexiva.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Biflex

Ativ@ com gosto.









    Passiv@ com muito prazer.

Pedido

Deixa eu te vestir de novas cores, novos aromas, perfumes, de novos amores e
partilhar contigo o meu modus operandi entre quatro paredes, no chão, mesa, carro, na rua desconhecida, banheiro de boteco e entre lençóis de algodão branco.

Deixa eu descobrir
teus pontos fracos, teus pontos fortes,
teu ponto g.

Deixa eu deitar no teu colo, sucumbir febril a tua pele,
me aninhar no teu sorriso,  me amansar nos teus braços,
em dias amenos e noites geladas,
sem medo, sem mentira, nem planos mirabolantes,
além do bem-viver que Deus sugere.

Permita-me ser "byronianamente" romântic@, 
abertamente autêntic@,
sistematicamente franc@,
e arder, sem constragimento,
na tua frente,
colorfuly passionate.
 E, claro, me permita, sempre que eu quiser:
me aveludar dentro de ti.

Então, a proposta é essa: me deixa ser,
me deixe livre
mas deixa eu estar em ti,
em qualquer momento
do devir.

Deixas?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

E a onda varreu-@









El@ serenou,
somente,
 depois que o orgasmo
 lambeu-@.


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Aguardo






O que eu quero é uma mulher,
- permenentemente cheirosa –
que eu sussure no ouvido
- em qualquer manhã, tarde, noite -
“ _Saudade de meter em você...”,
E ela me responda, olhando nos olhos:
 “_Não seja por isso...”

Disputa

Dentro de mim mora uma fera que não convive nada bem com o cordeirinho que em mim habita. 
Mas os dois estão chegando a um consenso:
         “_Me dê espaço...”
         “_ Então me deixa ser...”