sexta-feira, 8 de abril de 2011

Apelo em mim

Ouvindo “Everthing she does is magic” , do Police, pensando se esse sorriso meio sarcástico, e/ou incrédulo, que desponta nos meus lábios: permanecerá. (?)
Não...
Eu tenho plena, serena e sóbria consciência, e certeza, que nada resiste a viagem hipnótico-lisérgica-libertadora que o amor proporciona ...

domingo, 20 de março de 2011

Ser

Me estendes os lábios
e minha boca se transforma em mel.
Me quedo como campo,
preparado para o arado de tuas mão.
Sou labareda,
onde preparas as tuas carnes.

Metades

Quando você vai parar de fingir que
consegue levar deste jeito?
Meio-nada.
Meio-a-meio.
Meio.
De qualquer maneira
não serve para quem gosta de ser inteiro.



História de Nina(r)

I

Pressiono o corpo del@ contra a parede (meus seios junto as costa, colados na blusa branca. A voz, arma de fogo, reverbera no ouvido e a caminho do cérebro molha o sangue de gasolina. Fios sedosos da nuca nos meus lábios. Beijo a base do pescoço e escorro para morder o trapézio. A ponta da língua traça uma linha úmida (que fustigo de leve com a brisa do hálito) até aquele esconderijo - atrás do lóbulo da orelha (que mordo), como que fazendo um convite.

El@ espalma uma das brancas mãos contra a parede. Não há espaços para diminuir, então, empurra o corpo, devagar e firme, contra o meu, enquanto oferece o pescoço desnudo, que beijo, novamente, na demora possível, antes de minha boca ganhar asas e se insinuar próximo aos lábios– antes de minhas mãos escorregarem mansas, porém cheias de certeza, até a cintura, - ilíacos, pele e vontade trazem o corpo del@.  A bunda perfeita, que encaixa e dá calor, magnetiza, na mecânica dos corpos, cheia de convites: perfect fit.

Eu gosto do meio-sorriso sacana, dos olhos apertados, pequenos na face, do ronco quente do sussurro, porque frente a frente ficamos, para partilhar outros pedaços de nós

II


Abro os olhos enquanto beijo. Gosto de olhar entregas, encarar belezas, absorver vontades.

As mãos, as minhas, que já não andam mais pela cintura, aportam entre coxas, navegam guiadas pela sextante, que é o beijo e pelos murmúrios: a linguagem do desejo.
As mãos, as del@, me pegam a nuca, me apertam as costas, me puxam, me empurram, me puxam, desnudam, serpenteiam
para dentro (da saia.?)
Foi quando el@ abriu os olhos e confrontou o meu meio-sorriso sacana dentro do beijo, e meus olhos matreiros de querência e entrega. Vi, com prazer, o brilho, no instante que el@ ce(deu): abriu a porta da cabine do banheiro e fomos direto para a chapelaria.

III

Há uma necessidade desabalada de ir, de sair, mas estamos na pressa das gentes que sabem que a espera apenas faz arder ainda mais. Navegamos lent@s pela pista, aproveitando a falta de espaço. El@ sorri, enquanto encosta a nuca no meu ombro e me olha.
“_O que?" Pergunto, curios@ junto ao ouvido.
El@ repete o refrão da House Music que toca:
"_Yes…Let´s track the treasure down, babe…"
E me beija o pescoço.


Alto-mar






Há mulheres-tubarão,
que tal qual,
somente se acalmam
pela imobilidade tônica.
Mas onde a gente deve apalpar,
antes de ser devorad@?

sábado, 19 de março de 2011

Síntese

Eu meto:
                                                                                                            el@ sussurra.

Eu meto

                                                                                                        el@ me arranha.
Eu meto:
                                                                                                             el@ aranha.
Eu meto:
                                                                                                           el@ derrama.

Eu meto. El@ mete.
                                                                                   El@ mete.
                                             El@ mete.

El@ mete e...
Eu?

            Ah, eu...
                                            ... me submeto...



Desabafo








Me quase-injuria,
por certo, entedia...
Toda essa putaria sem graça
que não rende
poema, nem carta ,
muito menos,
uma bela
foda
bem dada.

História de duas leoas


I
Essas mulheres pouco se falam.
Essas leoas pouco se vêem.
Talvez seja a lua.Ou o vento.
Porém, quando chega o momento,
um solstício,
um eclipse,
um tempo,
qualquer,
propício,
uma elipse:
elas se ausentam do bando,
sem alardes.
Enviam-se sinais:
pássaros de cantos metalizados avisam,
há melodias,
fragrâncias,
intenções.
Chove, a noite, na savana.

II

Não há cova para essas leoas:
há alcova.

Primeiro se cercam,
depois se acercam,
recém-conhecidas- íntimas,
recendem a frutas frescas,
vermelho de sangue,
liberdades e vontades.
E chegando, se provam,
aos poucos,
com o olfato em alerta,
- os sentidos acordados -
com abraços fortes, feitos de algodão,
histórias, no veludo molhado da língua
e carícias guardadas na ponta das garras.

Elas se possuem mansa-pacientemente.
Sem pressa: deita-se,
músculos, carnes,
peles-pêlos, hálitos,
e,ressumbram-se, entre essas leoas:
beijos.

Com o arruar do apetite,
cio rugindo no baixo ventre,
se resumem, entre mordidas.

E, letradas que são,
trocam grunhidos
no idioma dos selvagens...
E se calam.
Bem mais tarde.
Saciado o apetite,
marcas guardadas na carne.

III

Talvez seja a lua.
Ou o vento.
Mas quando chega o momento,
um solstício,
um eclipse,
uma elipse...
um cio,
um tempo,
elas se encontram...

Depois se deixam.


 

Apetite

Um das coisas que menos tenho prazer em comer é alface...
Alface é uma das coisas que me obrigo a comer.
Já d@s enrolad@s, comprometid@s e mal-resolvid@s:
dest@s me abstenho.

Do sexo e dos buracos







Sexo por sexo é muito bom.
Mas tente fazer disso trabalho permanente?
Ou ser @ gostos@ do momento,
sempre?
Você: objeto
Vazio: preenche.
E esvazia,
(in) certo dia,
o peito.

Gelateria


Tenho para mim que muita gente
vê o outro como
sorvete...
Algumas lambidas e tudo esta acabado.

Fazer o dia



Soul assim: sã, sadia, de sal, sábia, cheia de sandices,
saudades e, assim, sigo salpicando os dias:

de sol.

Teaser is:

Irresistíveis:
 são @s originais,
@s criativas:
ess@s,
são fatais.

Montaria





Potras,
potrancas,
éguas,
amazonas:
deliciosos galopes.

Outo-nau

Desfolhar:
o que era roupa, agora é pele

e a pele coberta de tato:
uma
desavença avençada entre a
palma da mão na carne d@ outr@
e
o desassossego exagerado do desejo,
já sucumbido
sem roupa, na pele – com a palma
agora
em brasa
.


quinta-feira, 10 de março de 2011

Buscas conscientes





Sonho com pequenas coisas feitas de
geografias, de artes, de arquiteturas,
de vivências,
e de gentes, que são únicas
experiências.


"Sacal"

Meu lado impetuos@
 fica put@
com o patético.

Da serventia em ser, do prazer de comer.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

E pensar...

E pensar que eu me fingi de desentendid@, não aceitei, nas palavras dela: "dar uma escapadinha para pegar umas laranjas no fundo do terreno", em determinado churrasco, nos interiores do Estado, com a charmosa dona desse lindo braço belamente ornado ...Porque eu estava casad@.

E pensar que eu diria não de novo,
se casad@ o fosse.


Minha mãe deve ter "amarrado" meu caminho ao de Nossa Senhora d@s Inveterad@s Crentes quando nasci...

Que tipo de "trabalho" devo fazer para me libertar e agir na volúpia do impulso?
Mas que é charmosíssima, e quase irresistível, ... Isso, sem dúvida, absolutamente, nenhuma, é. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tato

Na ponta dos dedos
No veludo da língua
No ardor do momento

Dias de calor

Sobressalto nos meus sentidos.
O verão pôs pernas de fora:
coxas nuas, panturrilhas a mostra.
Pele assanhada para o sol
Adoro essa semi-nudez pública da estação.

Dia de verão


O calor era tanto – e o mar tão gelado que, ao sair, 
depois do mergulho, o corpo, na brisa, parecia mentolado.

Procura-se

Procuro um corpo celeste
de pele (branca-chocolate-amarela ou negra),
 serena, de hálito meigo e feito de sossego,
que queime de desejo, nada burlesco,
no meu céu de brigadeiro.

Do meu amigo, Nestor



O rabinho balançando do Nestor
denuncia todo o seu amor.

Costura de palavras

Há quem se satisfaça com palavrinhas.
                                             Outras, com palavrões.

Da prática



Abençoada pitanga colhida no pé,
que admiro, elogio e beijo
antes de saborear –
como faço com
uma mulher.

Aspecto

Antes fosse nonsense,
mas é no sense.

Dos ares daquele lugar

O caminho para Floripa é uma das linhas na palma da minha mão.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Enfado

Nunca fui de possuir por possuir, por longo prazo. Me cansa o corpo pela carne: açougue, matadouro, galinhagem.
Não gosto de tratar gente (mesmo na maior vontade, respeito e-ou candura) como nacos de pão, numa refeição: aqui e ali, para limpar o paladar, até me servir do próximo prato.

Casaco de gala


A sereia
deixou o traje de gala
na areia
Vou esperar, para,
 quem sabe,
a gente conversar...


Cláusula

Eu não quero saber o que você tem para me dar:
eu quero partilhar.

Alhures - algures

Eu não sou São Luís, no Maranhão,
mas a Holanda me invadiu.

Da minha versão dos fatos

Amor é para ser livre e divertido,
mas também comprometido.

Tarde de tarot

Uma tarde com o tarot é um momento reservado as mulheres da família. Encontro de mãe e filhas, de riso e silêncio, de interpretação, de contento e descontentamento, onde a matriarca deita as cartas, uma a uma
sobre a colcha, sem pressa.

Compartimentos

Quero meu quarto: sala de recreação,
para uma pessoa só.

Threesome

Na matemática,
 a trigonometria é ordenada
No sexo é caótica.

Relendo e refazendo Nietzsche

I
Certas mulheres não são nem espírito, nem vinho. mas espírito de vinho: podem se inflamar e dão calor.

II
À cama podemos nos esclarecer os mais sutis segredos das artes; é suficiente observar o que tem gosto, em que momento sentimos gosto, de que gosto é aquilo e por quanto tempo o sentimos.

Redação: minhas férias e porque gosto do litoral

Eu estava andando pelaTen. Silveira, centrão de Floripa, no domingo,nublado de sol, ruas vazias. Cinco meninos-homens dobraram a esquina. Reconhecimento imediato de desconhecidos. Quando se aproximaram, um deles levantou a mão, em um daqueles gestos de comprimento - um "high five"... Eu correspondi. A pergunta dele veio imediata, sorriente, e, como não paramos, ele começou a caminhar de costas:
"_Esta se divertindo?"
Também me virei e respondi; "_Muito! E vocês?"
"_Bastante!"
"Que bom!"
E a interação terminou.
Eu estava caminhando para o Bob´s, mas pensei: "Eu amo muito tudo isso..."

Mensagens no celular

I
Então posso pousar os olhos em ti, deslumbrante..?

II
Delícia absorver a força da tua beleza. Pudera fazê-lo aos poucos: olhos de conta-gotas, sem pressa. Só depois... Só depois aveludar a palma das mãos na pele, abençoar os lábios no calor do beijo, acentuar o paladar na carne.


sábado, 25 de dezembro de 2010

Half

Gente triste essa pela metade
Metade sim,
metade não,
metade é,
nunca imensidão.

Ela me faz dizer sim...(como se para mim fosse difícil...)

Ela é
sacana
sarada
saliente
sem-vergonha
suntuosa
safada
sossegada
satírica
serelepe
assanhada
agora, saudosa
jovem senhora.

Caixa

Tenho Berettas, Colts, Glocks,  Smith & Wessons
no lugar de alguns neurônios.
Porque memórias são como munição: precisam de gatilhos...
Música.
Perfume.
Sabor.
Melodia.
Fragrância.
...Me acertam em cheio.

Desejo

Quero momentos que me
tirem
o


le

go.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ad-ver-bios

Vendo,
tendo visto,
avistado,
reparado,
entrando em contato,
percebendo,...
Isso, realmente
vai fazer você mudar os rumos
do pensamento?

Fragilidade de ordem visual

A minha maior fraqueza:
é a fotogenia.

Conviver

Nós somos tudo
e nada
sozinhos.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Jogo

Não se aposta


Não se aposta
uma vez só.

uma vez só.

Paladar

Língua estranha no céu da boca.
Línguas de estranh@s no céu da boca.

Arrepio

Susto na pele:
sua mão na minha coxa.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Para o verão

Quero um sol que fale pelos cotovelos
e um mar vivo de humores: nesse verão.
Quero areias de pó-de-arroz e pedras para
deitar a indolência, de férias,
em lugares ermos e vivos,
que são só meus, não porque ninguém os conheça,
mas porque os fiz assim.

Prece

Ajoelho frente ao altar de
carne,
fibra,
músculo
e espasmo.
E no corpo del@ vou rezar.


Tenessee Willians

Corpo ardente na cama:
gat@ em teto de zinco quente

Solavanco

Ah!
Hã?

Fotografia

I

Queria tê-la guardado ontem - em arquivo RAW, no mínimo TIFF, com a melhor qualidade – naquela lenta aproximação. Sorriso no rosto, mão erguendo a barra do vestido que caía sob os pés quase-desnudos, que acariciavam o petit pave.
Ela caminha rápido.
Estendemos um cabo, uma linha invisível que liga olhos atráves da "Fonte da Memória", dentro da sexta-feira curitibana, cheia de gente, na noite agradável. Segundos depois, desembaraço de beijos e abraços, a boca tecendo intimidades no ouvido,e  as palmas das mãos, como aveludados ganchos, trazem os corpos para mais perto, segredando o desejo do toque.

II

Na retirada: costas desnudas, domínio na física no
correr de salto.

III

Queria tê-la guardado em película, entre as luzes amarelas, vigorosas e quentes daquele palácio.