quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Fotografia

Coisa nada grandiloqüente
(revelação, porém, auspiciosa e alvissareira)
me foi sussurrada, com voz macia e aprazedora,
quando espírito, à hora do encarne:
“_Arderá no teu olhos, a vontade de
captar a vida e os objetos dos outros.”
E assim: desde então, é.

O corpo que fala

Tem gente, feita de contatos autistas, que vive o ranço das relações cordiais e mentirosas, que produzem menos energia que uma bateria não alcalina AAA.
Desconectad@s, vivem desplugad@s, são cor de burro quando foge são bege (ou beige), passam na vida inodor@s, impenetráveis, coração e desejo: num âmbar no peito.
Tudo porque não dizem sim, assim: de viver em tolerância consigo mesmo (nem com @s outr@s. Querem viver sem febres que ardem-queimam e pululam pelo corpo inteiro e que são sazonais e permanentes, para quem é normal: um vivente.
Tem que avisar para esse povo, que anda negando ser humano, que debaixo da pele e dentro do crânio, tem um bicho que diz sim, mansamente. E quem faz a folia doente de negar o desejo, natural e matreiro, não pode dar certo...
Acaba sendo só projeto de gente.



Cumprimento matutino

Oi, minha morena que carrega 
um botão de rosa 
vermelho 
e aceso,
que me 
ouriça as pontas dos dedos
e me põe selvagem a língua:
bom dia.

"What a lovely way to burn"

Esse fogo que
nos lambe os pés...
Con-
Some
as roupas
em poucos instantes.

Paz em mim.


Pródiga de letras,parindo frases,
me sinto feliz.

Sorvete

“_Eu vou lá chupar uma bola contigo”.
_Pode ser duas?

Fever

Texto febril > Vocábulos de línguas

1,2,3

I
Atos desnudos
na cama 
dos fundos.


II

O orgasmo diz muito sobre nós.
A falta dele também.


III

Satisfeitos
sorrisos
na cara.

Fim

No prontuário médico constava:
"Morreu sufocada pela vida de merda,
 mercenária e escrava,
que levava".
.

Passou por mim.

Barraquenta.

Barroca.
Bandoleira.
Garota.

sábado, 19 de outubro de 2013

Segundo tempo

Solidão depois do sexo, na cama desaconpanhada,
que nada.
Prazer da/na própria companhia,
isso sim,

é o que rola.

Final de semana

É sexta-feira:
boca anseia.


(Pós?)Modernidades

Conspira
mentira
Aspirina
Fluoxetina
Se não pira.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Loveconfusionfearfeelingsfreedon

Confusion feelings love love lovepain
confusion love love confusion
painfeelings feelings feelings
love love love
confusion confusion confusion
fear pain confusion feelings fear pain love
 pain pain pain
freedom
...

Brand new


Metafísicas, ordinárias,
extra-ordinárias 
pensamentos e cometas 
me levam nesse vai-e-vem, 
do tamanho da dinâmica do mar, 
“eu” novo 
depositado nas areias 
cheirando a bravias maresias, 
agora e, 
todos os dias.

Versinhos de amor

Deixa falar do tamanho do meu amor por você:
Sequóia de nobre e amarrotada pele, braços longos
e confortáveis e que abraços de muitas gentes
não podem fechar.
Cajueiro: tronco espalhado, deitado na relva,
pesado de vontade de crescer e se achegar.
Baobad: suculento e tenro, cabaça de Deus que fala também
da idade do meu amor por ti:
como a epiderme dele não produz rugas não é possível

contar essas coisas de anos e tempos e idades.
Mas, para ser precisa, então, te quero bem
do tamanho e da vivência do cedro japonês.


Fantasma

Do box,
entre
vapor
gota
pensamento,
olho o hobby cor de uva rubi,
içado no ar
como ectoplasma,
no último gancho do lado esquerdo
do cabideiro de três pontas:
solidão de uma só.

E me seco com a tua toalha.

Rarely

Se às vezes me calo
no calor do ato,
é porque a voz não responde
no colapso.

C´est Fini

Cego para a escrita,
sem ler nas entrelinhas,
o bem querer que não está ali.
Embotados,
os olhos
não duvidam
da dúvida,
que valsa lá?

Let´s play

O corpo del@
um playground
onde tod@ adult@
quer brincar.

Consumação

Quero comê-l@ com dentes.
A língua em brasa penetra carnes
rijas e convidativas.
No céu da boca: estrelas.
Da garganta, o murmúrio quente.
Nos lábios, absinto
sorvido sem pressa.

Autopista

E se for isso?
O paladar manchado
pelo gosto rubro do pó da estrada?
E só.

Maturidade

Minha pele floresce
e a carne
do verde bruto, frouxo e desluzido

vai ao vermelho rubro,
prometedor
e assanhado,
para que tu, sem dó,
lhe crave os dentes.

Salvatore

Te bebo em gotas
orvalho,
suor,
fluídos
de nós.

A Edna St Vincent Millay (ou Ultimato)


Forgotten

A ponta dos dedos
não esquece o calor
daquelas carnes
feitas de festa,
bom agouro e de um rubro –
do mais vermelho que já vi.

POssuíd@

A tristeza é assim
Um porto 
morto.
Um aparato técnico Mengueliano
Um tormento inquisitório
Um flagelo lento

Ela aparece,
incômoda,
na carne nova
recém – possuída,
nas delícias de outr@s,
onde ardem as horas.

Jogo duro

Tanta dificuldade para
juntar silabas
& nós.

Centelha

Centelha do céu:
Beijo teu.


Rubro

A cor é perfeita.
Esse vermelho garboso
que navega em tuas veias,
borrifa um sanhar luxurioso nos teus olhos .
As pálpebras dormentes de desejo.
A boca ansiosa no meio/sorriso,
contido no carnudo carmim.
Eu sei que essa cor é tua
e ela toma conta de mim.


Overlock

Carreguei o coração exposto
e para proteger as carnes
decidi costurar com linhas grossas
unindo partes.
Mas não se engane,
profissional que sou,
não ficará cicatriz que denuncie
o acidente.

Passo noite e dia costurando.
Cozendo com destreza -
aproveito e desenho uma curva nos lábios -
e colo lá um cândido sorriso.
Termino de compor a personagem
ao nascer do dia.

Agora, penso: terei tempo.

De me preparar
para ir. Porque não quero ser muro.
Ser pedra.Atar.impedir.
E não desejo ser costureira de meu desespero,
nem operária da minha dor por muito mais tempo.

Sei que é ilusão.
Mas é que a embriaguez de paixão
é o único consolo dos viventes,
quando o amor rasga
o peito da gente.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Vazio

Eu me sinto assim
sem sentir nada
e tem dias que viver
me parece um vão
em vão.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

La petite mort

Dormentes pensamentos.

Saciados silêncios.

Prêmio


O corpo nu me oferece
poesia
arte abstrata
coreografias...

Ciência x @caso


A ciência me parece
muito frágil

(imensamente 
suscetível)
diante do @caso.

Lapsos

I
Os machos me apetecem.
Mas as fêmeas...

II
"Amor de pica
bate"
mas não fica.

Filmografia




Essa coisa de amanteigados nunca mais foi a mesma 
depois do “Último Tango em Paris”.

"Viver"


A vida não tem nada de easy
E tem muito de take it.

Casamento

As pessoas pensam muito na comunhão de bens
e se esquecem da união de afetos,

principalmente quando se decidi ir embora.

Diagnóstico

Constipações nas relações
resultam em dolorosas diarreias verbais.

Adieu

Meacompanhemeacompanhe
Meacompanhemeacompanh
Meacompanhemeacompan
Meacompanhemeacompa
Meacompanhemeacomp
Meacompanhemeacom
Meacompanhemeaco
Meacompanhemeac
Meacompanhemea
Meacompanheme
Meacompanhem
Meacompanhe
Meacompanh
Meacompan
Meacompa
Meacomp
Meacom
Meaco
Mea
Me.

Dureza




Eu não gosto de rigidez.
Eu gosto da rigidez.

Sintomático

Consumir-se é
Desistir-se.



Resiliência

Eu sou feita de carne e osso.
E todas estas bocas por aí...

Possibilidades


A gente pode adorar ser devorad@.
Mas também é ótimo ser degustad@.


Meninas-moças

Calvário destas meninas-moças
de viver a sombra de um conto de fadas
e nunca serem contemporâneas delas mesmas,
preocupadas que estão em continuarem sendo
uma coisa, não alguém.

Aconteceu

Eu achei que a moça era uma diva.

Equívoco meu!
Era apenas uma bela menina
meio rica.