quarta-feira, 13 de julho de 2011

Jack Agüeros

I
Eu quero gritar à palavra.
Porque o poeta não pode mais.
Eu quero dizer “_Venha a mim, doce,
luxuriante, tensa, dolorida, auspiciosa e venenosa
(palavra) que te espero, rendida,
 sempre chegar no momento
mais desacorçoado e acalorado
E me trazes a serenidade absoluta
 dos que não tem nada a temer,
dos que gozam satisfeitos.
Eu quero gritar a Palavra.
Porque (a do) um poeta morreu.

II
Eu: não cabia em mim
de pena quando vi.
O flagelo grandioso daquele homem:
o poeta sem palavras.
O poeta sem memória da delícia da palavra
escorrendo
quente-quente sangue adentro.
Palavra que abre espaço na carne e
dá voz ao querer morrer de sentir
e salva do afogamento,
 nos desertos alheios.

E agora o que será dele sem escafandro?
Nessa aguá  turva e rasa, de maré baixa
e profunda  -  de oceano negro? 
O poeta sem memória, assim ,
exposto na única nudez indecente.
 Desencantado de dar dó.
O poeta foi embora e deixou o homem ali:
No aguardo desumano de morrer,
A olhos vistos, de tristeza e
Só.

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