sexta-feira, 24 de junho de 2011

Mezzo Gregório de Mattos

Queria poder vomitar por dias, se fosse para me livrar da vergonha rubra pelas palavras de amor, e toda a candura que enunciei.
“Descompactaria carnes, músculos e com firmeza de bisturi" desfaria a mão erotizada, o tracejar dos dedos na pele, o apalpar no supermercado... Ou, fustigaria sem dó, como Marina Colassanti: “mesmo os sentimentos entretecidos nas fibras, como invisíveis ligaduras daquele palpitar...”
Queria eu resgatar cada carinho, toque e cuidado daquele canyon de
falsidade, mentira e hipocrisia, que atende por um nome, que se diz de gente, mas que é o avesso.
E me rio, imersa em cinismo, de seu sexo cheios de reprovações e mau caratismos.E me pergunto se existirá número suficiente de banhos nessa encarnação para me livrar do tato comum-convencional-trivial del@.
Queria eu expulsar de mim toda essa estranheza de não ter lido a sociopatia, a doença ali, aconchegada, vizinha. E ainda penso no tempo perdido, e lamento os escrotos dias e belas luas perdidas.

Meu lamúrio estampado em neon azul.

Eu me apercebo como quem já há muito soubesse e tinha perdido o senso , que do bom e cálido contato humano, precisamos, para não sucumbir as inverdades“quiméricas” (míticas e utópicas e fantasiosas) que nos assediam descaradamente e que nos fazem perder a medida com o próprio bem estar absoluto ...

E como a poesia me absolve, consumida como fogo desprovido do oxigênio , a fúria se consome, porque, ora, não haverá dia, que eu não abençoe o momento que @ corrompid@ deixou
meu teto e a minha vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sinta aqui: