sexta-feira, 24 de junho de 2011

O que não conheci

Quero que me venha a cabeça mil palavras
para te nominar: mulher que não conheci.
Palavras donas de cheiros,
de candura, úmidas, descaradas
 balbuciadas,
emaranhadas.

Mezzo Gregório de Mattos

Queria poder vomitar por dias, se fosse para me livrar da vergonha rubra pelas palavras de amor, e toda a candura que enunciei.
“Descompactaria carnes, músculos e com firmeza de bisturi" desfaria a mão erotizada, o tracejar dos dedos na pele, o apalpar no supermercado... Ou, fustigaria sem dó, como Marina Colassanti: “mesmo os sentimentos entretecidos nas fibras, como invisíveis ligaduras daquele palpitar...”
Queria eu resgatar cada carinho, toque e cuidado daquele canyon de
falsidade, mentira e hipocrisia, que atende por um nome, que se diz de gente, mas que é o avesso.
E me rio, imersa em cinismo, de seu sexo cheios de reprovações e mau caratismos.E me pergunto se existirá número suficiente de banhos nessa encarnação para me livrar do tato comum-convencional-trivial del@.
Queria eu expulsar de mim toda essa estranheza de não ter lido a sociopatia, a doença ali, aconchegada, vizinha. E ainda penso no tempo perdido, e lamento os escrotos dias e belas luas perdidas.

Meu lamúrio estampado em neon azul.

Eu me apercebo como quem já há muito soubesse e tinha perdido o senso , que do bom e cálido contato humano, precisamos, para não sucumbir as inverdades“quiméricas” (míticas e utópicas e fantasiosas) que nos assediam descaradamente e que nos fazem perder a medida com o próprio bem estar absoluto ...

E como a poesia me absolve, consumida como fogo desprovido do oxigênio , a fúria se consome, porque, ora, não haverá dia, que eu não abençoe o momento que @ corrompid@ deixou
meu teto e a minha vida.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A vontade

Ansiar
ancião.


Meu pequeno ato de rebeldia ou "Repúdio as Palavras"


Eu quero, sinceramente,
repudiar as Palavras.
Pensei-as amigas, de dormir no peito, dividir idéias, soçobrar desejos, fiéis depositárias...No entanto, descobri-as, vulgares, sórdidas e baratas, travestidas de doçura. Essas companheiras, me fizeram chafurdar em esgotos e ver dias e noites brotarem confusos, perdidos, incompreensíveis, enquanto nascia de mim doente paciência.

Foram, no entanto, as Palavras que gritaram nos meus olhos – porque, parece, eu “andava entorpecida de tristeza e descontentamento, alheia a vida, (elas me disseram, tentando amenizar o fato e o efeito ).
Gritaram alto, e reverberou um eco de doer no vazio que coube  - imenso – no músculo perfeito, guardado agora em casamata ; bem escondido, dentro do peito.

Por causa delas, abdiquei da sanidade por segundos, para cair no colo úmido e frio de uma ausência repleta de memórias, nas páginas e mais páginas que as Palavras me trouxeram como respostas, e no buraco na carne, aglutinação de sentires, que desmanchava gelado, onde há pouco havia vibrante carne...

Eu já havia percebido que el@ era um@ cuteleir@ e que, acompanhadas Del@, as Palavras ganhavam outro fio, e abriam rasgos finos e profundos.
Depois averigüei que mansas Palavras também eram amigas Del@, mas se deixavam partilhar distante de mim... Em um quase-outro idioma de afetos e vontades... E penei.
Então, eu quero, pelo menos por esse segundo, repudiar as Palavras, e depois, docemente perdoá-las, porque, elas são também a razão e o motivo da minha libertação.

E meu amor por elas é eterno, terno e quente e as Palavras moram dentro de mim, e se acumulam, e me explicam, e me vestem e alimentam,
até na ausência de mim.

Equívoco

                                     


 
Palavras não tem sexo,
nem gênero ou etnia,  ...
Palavras tem destino.

Na ponta

Eu tenho na ponta da língua:
 beijo, verso, ...
Frase tarada
e matreira.

Eu


Ando abusada.
Ando sem medida e descabida
Impaciente.
Valso perigosa (e
mansa?) pelo dia.

Permissivo ato

Mulher se seduz com palavras,
se pega com vontade,
se beija carnudo...
Mulher se possui deliciosamente,
através do compromisso da permissão.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Das frutas

I
Gente é como pitanga...
Umas são muito verdes para comer.

II

Me sinto  um pouco vampira,
tomando suco de melancia

domingo, 5 de junho de 2011

Epílogo

Ando puta...
Não só da cara.

Do prazer das letras







Cio:
coito.


Dilema em dois atos

Quebro todas as regras?
Ou fujo do fabuloso destino?
Eu rio do meu singelo dilema.

A vida não é um filme francês


I
Verborragia (como a de muitos filmes franceses) para mim é doença ...

(Verborragia pode esconder contenção do sentir 
ou hemorragia crônica afetiva não tratada.)

Eu prefiro a eficácia das palavras acionadas e dos verbos flexionados.


II
Palavras são combustível.
Quem me tira o fôlego: é a ação.

Bota amarela

Adoro a franqueza de certas
poucas
mulheres que
cansaram,
há bom tempo,
de dar satisfações sobre a bota amarela,
o vestido de bolinhas,
a barriga de fora.

Do Encontro

Saudade nos olhos, e cada qual ansiando por um pedaço do corpo do outro.
Primeiro chega a mão.
Depois, braço-ante-braço-palma-da-mão-nas-costas, deslizando até a nuca - envolvendo os ombros - apertar o corpo – reduzir espaços: abraçar... 
Amalgamar aquele encaixe perfeito.
 ...E ... "Ahhhh... esse teu cheiro...”, pensa o pensamento.



Falso Conto de Fadas


El@ não consegue esconder o pêlo cinzento de lobo.
O casaco de pele de cordeirinho é demasiado curto para esconder a verdadeira faceta.  

Versos soltos

Gostaria de voltar a fazer versos de amor.
Uma maturidade meio-dura me assenta um sorriso no canto dos lábios.
...
...
...
 E, além de tudo, eu já faço versos de amores.

Minha pressa

Eu ando sem pressa...
Sem
pre
s
s
a
.
.
.
(Mentira!)

Existem mulheres que fazem doer.
Que dói de luxuriantes: (n)os olhos engolidos
       pelo fogo da volúpia,         
no meio-sorriso de fazer escrav@s,
na mansidão lasciva dos (a)braços invisíveis...
Existem sim, mulheres que fazem doer, assim.

Aniz no suco

Aniz estrelado, que nasceu
para deixar exótico,
o olfato,
e para surpreender o palato.

Mais um@

Me disseran hoje, pelo msn,
que “huahauhuhauhauha” era
 muito adolescente para mim.
...
Eu achei que el@ era diferente,
mas o que havia de diferente nel@
 era eu.
Agora é apenas mais um@.

Elogio

Eu falei:
“_ Você está deslumbrante na saia.”
E ela voltou sem calcinha para casa.

Questão:

Como resolver um caso de absoluta falta de bom senso estético em uma bela mulher ?

Resistência

Eu não costumo resistir,
quando quero.