domingo, 20 de março de 2011

História de Nina(r)

I

Pressiono o corpo del@ contra a parede (meus seios junto as costa, colados na blusa branca. A voz, arma de fogo, reverbera no ouvido e a caminho do cérebro molha o sangue de gasolina. Fios sedosos da nuca nos meus lábios. Beijo a base do pescoço e escorro para morder o trapézio. A ponta da língua traça uma linha úmida (que fustigo de leve com a brisa do hálito) até aquele esconderijo - atrás do lóbulo da orelha (que mordo), como que fazendo um convite.

El@ espalma uma das brancas mãos contra a parede. Não há espaços para diminuir, então, empurra o corpo, devagar e firme, contra o meu, enquanto oferece o pescoço desnudo, que beijo, novamente, na demora possível, antes de minha boca ganhar asas e se insinuar próximo aos lábios– antes de minhas mãos escorregarem mansas, porém cheias de certeza, até a cintura, - ilíacos, pele e vontade trazem o corpo del@.  A bunda perfeita, que encaixa e dá calor, magnetiza, na mecânica dos corpos, cheia de convites: perfect fit.

Eu gosto do meio-sorriso sacana, dos olhos apertados, pequenos na face, do ronco quente do sussurro, porque frente a frente ficamos, para partilhar outros pedaços de nós

II


Abro os olhos enquanto beijo. Gosto de olhar entregas, encarar belezas, absorver vontades.

As mãos, as minhas, que já não andam mais pela cintura, aportam entre coxas, navegam guiadas pela sextante, que é o beijo e pelos murmúrios: a linguagem do desejo.
As mãos, as del@, me pegam a nuca, me apertam as costas, me puxam, me empurram, me puxam, desnudam, serpenteiam
para dentro (da saia.?)
Foi quando el@ abriu os olhos e confrontou o meu meio-sorriso sacana dentro do beijo, e meus olhos matreiros de querência e entrega. Vi, com prazer, o brilho, no instante que el@ ce(deu): abriu a porta da cabine do banheiro e fomos direto para a chapelaria.

III

Há uma necessidade desabalada de ir, de sair, mas estamos na pressa das gentes que sabem que a espera apenas faz arder ainda mais. Navegamos lent@s pela pista, aproveitando a falta de espaço. El@ sorri, enquanto encosta a nuca no meu ombro e me olha.
“_O que?" Pergunto, curios@ junto ao ouvido.
El@ repete o refrão da House Music que toca:
"_Yes…Let´s track the treasure down, babe…"
E me beija o pescoço.


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