quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Desabafo sem um fim apropriado

Eu gosto de sentir o outro se entranhando em mim.
Mas não xadrez, damas, cinco-marias. Menos jogos, mais geografias. Livres - livres tentativas.
Prefiro o sincero da palavra espontânea, da vontade indeterminada, do vôo, do pouso, do ato-falho, do ato-reflexo, da ação desmesurada....
Porque, enfim, grandes ritos e cerimônias são feitos de manifestações pré-idelizadas, concebidas e assim, materializadas.
Quero sim, o reflexivo, mas também, o que nasce sem peias.

Bom lembrar, no entanto, nada disso é invasão. Tudo é consentimento. Desgosto de invasores, bárbar@s ou sedutor@s: são sempre domínio e outros nomes.
Do que eu gosto é de tirar proveito da liberdade dos sentidos. Assim, me ver também caça-caçadora, espreitando-sendo acuada. É do meu feitio estar entregue, mergulhada no prazer das carnes da caça, seguindo instintos, desregrada.Ou, ser mandatária, exercendo o doce domínio de estar às ordens, sob.
Mas gosto de possuir,
(sim, pode ser por longos e molhados segundos)
e guardar o gosto, numa gaveta, ("prateleira"), que possuo dentro do peito.
Eu me dá vertigens: o observar. Com demora, faço das pontas dos dedos scanners. E meus olhos-que-enumeram-vontades,  tecem rodovias até os olhos parceiro(s.)
Eu  gosto de entrelaçar pernas, beijos na nuca, deitar no peito nu, navegar no ir e vir da vida, e me aquecer no ritmo do músculo perfeito.


Eu não quero e não demando atenção absoluta do outro, porque eu sou eu e você é você. Mas eu exijo cuidado.
Sim, muito cuidado.
Eu amo intensamente, selvagemente, mansamente, dulcemente.
Quando eu amo, amo sem ser displicente.
Cabe dizer,no entanto, que já não me bastam belas palavras, sentenças de efeito e  tópicos frasais completos.  Quero a sinceridade da expressão do momento, o gesto, ação do pensamento.
Eu sou de lembrar com carinho e respeito; de aprender e ensinar, de fazer esforço e esperar retorno.
E rir do riso do outro e sorrir para o sorriso da bela.
E sucumbir, de pernas moles ao francês, espanhol e inglês, da fera.
Eu gosto de força.
Mas na dose certa: a minha.
Eu acarinho amigos e cozinho para amante (s).
Eu quero sempre poder perder o fôlego de rir e dormir sozinha na minha cama-espaço da minha casa, (e ter saudade dela).


Desejo ter quem me faz bem por perto.
E entre: uma. Para levar para o quarto e fazer brotar rios. Fazer harmonia de gemidos e descansar como os saciados de corpo e mente: intimamente.
Eu aprecio ver e ouvir sentidos, boas respostas, timing; palavra bem vestida, mas não comportada e sim, desinibida e elegante.
Gosto de estetas-amantes.
Gosto de gente simples e honesta.

Eu quero singelo, sem ornatos, nem enfeites.
Eu quero profundo.
Eu quero ver acontecer a vida nos olhos do ser- mundo.
E me conceber todos os dias lua nova, sem medo de minguante .

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