segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Rito pagão

Quero pegar alguém na rua,
trazer para casa
e repousar sobre o cadáver
desse amor descomprometido que jaz ali
E fazer, languidamente,
a três,
sem culpa ou compromisso
Quero me enamorar de estranhas ,
guardar na boca centenas de beijos,
sem mendigar desejos
e  sim,
ficar ao relento,
sem casa,
nem pejo.

Quero pegar alguém na rua
e promover uma orgia de alegria,
de desnuda felicidade, de  corpos risonhos,
sedentos,
 sucumbindo felizes e enfastiados
a subversão do momento

Quero não caber em mim no gozo
cheio de riso, cheio de pranto,
cheio de raiva e
canto
em casas, quartos, cômodos,
em mim e no outro

Quero pegar alguém na rua
e dançar como se fosse só sua,
nua,
a luz da lua
até o sol acordar do seu dormir,
 e assim inaugurar
 uma rave em mim

É...
Eu quero -  
sim.


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