segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Resposta ao e-mail do amigo ferido

Hmmm…Belo e querido menino… tudo que vi, li em vermelho, porque foi feito de carne e sangue e medo e desejo e pensamento…
Ando sem palavras mansas para dizer. Ando coberta de dúvidas e mãos pequenas e pesadas de Tristeza cobrem meus olhos. O amor-meu companheiro, agora ali, aqui,acolá, anda moribundo, cavando buracos ao redor de mim, como pequenas covas,…dois palmos, um, três…
Faço o caminho oposto do teu. Sou convidada a me retirar. Vender imóveis, terrenos. Dissipar convívios. Esquecer aromas. Vender a casa, o quarto…a cozinha. O banheiro. Vender, separar.
“A gente precisa de paz. Mas eu quero continuar a relação… Eu não quero que você vá…embora…de mim…” Me disse.
Não posso temer, querido. Não temo tudo-agora-se-precipitando. Química em ação.
Não temo.
Agora é onde nasce tudo novo. É onde a vida se estreita e se encorpa – depois vira mar. E não temo. Há, sim, lá no fundo de mim, um eco grave: “Ah! Então vem! Vem!Quero te levar para outro lugar! Vem, vida. Vem, novo!”Lá sou cheia de versos de verde esperança. A(h)(s)sim, um lugar assim em mim. E espero estar nele, cada vez com mais frequência.
Por enquanto, ainda sou operadora de farol, vendo a luz se chocar contra o horizonte negro, iluminando aqui-depois-ali. Aqui Depois Ali. Atenta, de olhos apertados, lendo geografias, ansiando continentes, varrendo, buscando, …E não vou desligar o farol para que as gentes cheguem até mim em acidentes austeros.Tenho que iluminar mais longe quebrando finitudes.
Desafios…Desafio…. Deixar o farol e buscar os mares.
Amei como poeta. Amei, amei, amei. Como adoradora.
Ido-la-tra-da-men-te.
Sofri como tal.
Dor de desamparo. Indecente. Escalafobética.
Solidão do tamanho da tristeza.
Decepção gélida e cálida.
Eu - sem saber como fazer diferente: impotente.
Tudo se sebressaltando, se acontecendo, se derramando… Niagara Falls, Gocta, salto Ángel,…
Misto: levo a sensação de abandonar o amor e sentir a violência do sequestro dele de meus braços.
Misto de mim. Deixo-me enlutar, deixo ele ir. Let go para começar de novo outra coisa. (Só não sei se saberia – sinto - ser ainda del@, assim do jeito que sou, fui, era, temo ser - não ser - já sou…fui.)

E finco os dedos fundo  –  arado lavrando a carne.  ”Não deixo o amor ir. Não deixo…Não vou deixar ele ir, se esvair…”
Anda assim: no fundo de mim.

 Mil beijos, querido amigo.

2 comentários:

  1. Estou sempre atrasado. Você já esqueceu. Ele cansou de esperar. Eu não vi o link. Sei que minha foto ainda está lá, mas não é mais do lado da cama. Talvez na sala, com os amigos. Nada ainda está confuso, era tudo ou nada. Saudades. Suas também.

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  2. Engraçado...A gente volta e ler e vê que essa dor fez toda a diferença para eu ser melhor ...

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