segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Do agora

No meio da bagunça que el@ fez,
Me acho: caco por caco.


Da vida









I
Cadeado
pardo e pesado
na porta do coração.

II

Cinto de castidade?
Não.

De dentro

I dont want anything for revenge.
I want it for salvation.

Vontades

Quero me dar sob colchas de madrigal
em  camas
em sacadas
em escadas
beirais
em qualquer lugar,
mas nada mais.

Premonição

Ela procurou e achou.
Eu não procuro 
e vai cair no meu colo.

Sustado

Os braços dela soltos,
pendendo - 
carne sem movimento - 
retalham minha alma.

Os braços dela cheios de
 abraços suspensos.

Razões

Eu sofro porque seria deslealdade
deixar esse amor morrer a míngua
porque nenhum amor deveria ser entregue ao universo,
sem saudades, sem cortejo, sem dor
sem a lembrança do beijo

Eu sofro porque seria  ser de mentira
se não nascesse no fundo do peito,
nas várias horas do dia,  no significado do corpo,
na abstinência do outro,
aquela ânsia de saber e ainda conviver

Eu sofro, porque seria desumano,
esquecer e pronto.

Assim o é


El!@ de outr@.
                                                            Eu: minha




O agora

Tenho que deixá-l@ ir e cuidar do que sobrou aqui.
E (re)fazer-me melhor, enfim.

Percepção

O que são essas mensagens autistas,
deste um amor paralítico?

Rito pagão

Quero pegar alguém na rua,
trazer para casa
e repousar sobre o cadáver
desse amor descomprometido que jaz ali
E fazer, languidamente,
a três,
sem culpa ou compromisso
Quero me enamorar de estranhas ,
guardar na boca centenas de beijos,
sem mendigar desejos
e  sim,
ficar ao relento,
sem casa,
nem pejo.

Quero pegar alguém na rua
e promover uma orgia de alegria,
de desnuda felicidade, de  corpos risonhos,
sedentos,
 sucumbindo felizes e enfastiados
a subversão do momento

Quero não caber em mim no gozo
cheio de riso, cheio de pranto,
cheio de raiva e
canto
em casas, quartos, cômodos,
em mim e no outro

Quero pegar alguém na rua
e dançar como se fosse só sua,
nua,
a luz da lua
até o sol acordar do seu dormir,
 e assim inaugurar
 uma rave em mim

É...
Eu quero -  
sim.


...

E ando com muito sentir
dentro de mim.

Assim eu soube

Soube, pelas mãos del@,
em palavras mansas e  desconhecidas
que dentro del@ era oco, um vazio sem luz,
uma réstia de coisa nenhuma,
Que havia algo de
bonec@ de pano,
coisa disforme,
desequilíbrio,
desconexão.

Soube pelas mãos del@,
em emails desajustados,
que amor é coisa divisível
que se parte e se dá a toda a gente que "não se deseja",
mas  que se trata bem e melhor que aquele
que, como @ moç@ diz,  amor verdadeiro".

Soube pelas pálpebras nervosas cheias de agito
pelo desconhecer do que sabe o outro
que os lábios covardes,
prontamente murmuravam 
abstinências de verdade,
para manter aquela cotidianidade.

E que quando el@ estivesse tod@ pront@
cabeça, corpo e membros
Eu saberia pela voz rouca
que faz tempo que nada sou,
que fui e que era,
agora - naquele momento.

Sub-missão





Sucumbi ao meu amor anos a fio
da navalha, corte seco, lustroso -

o corpo cedeu
sub-metendo o eu.

Anorexia

Do afeto tiraste o tato.
Do abraço tiraste o contato.
Do amasso, o sarro,
emparedou e regrou o sexo;
do beijo, a sede do desejo;
da desculpa, a verdade do lamento

restou apenas aquele aperto doente no peito.

Morte anunciada

Sucumbi cheia de vontades aos teus prazeres medianos
Cheios de senão, contudo, poréns e claro, não gozei.

Andança

El@ andou demais com os amigos que riem e não falam. Viciad@s em grandiosidades suburbanas; música sertaneja  universitária, que rimam e dão vivas a gloriosa superficialidade. Da cabeça dessas gentes brotam mechas champagne e um corte reto, banal de cabelo,  oxigenado de falta de originalidade. São filhos de mães depressivas, cheios de mediocridades reluzidas, sexualidades reprimidas, silêncios exuberantes e palavrões reconfortantes.
E achou que tudo isso é certo e verdadeiro porque oferece uma saída confortável para a briga que é ser a gente mesmo.

WTF

Como essa mulher pode ser assim?
Aqui tão alfa, tão dona de si
e ali tão fêmea serviçal,
banal,
trivial,
comensal,
provençal.
Para mim foi quase sobrenatural.
É disso que é feito o universo heterossexual?

Vomitar

Olha, eu comecei a postar aqui, porque,… Porque, eu já não tenho nada que seja meu. Meus sentidos estão contaminados, paralizados e amedrontados. Porque preciso escrever e sentir que há sangue aqui dentro de mim. E porque preciso dizer - expor-falar... Porque a família e os meus amigos – os que contam – estão longe e eu não consigo viver essa mudez e indiferença. 


El@ me bota para fora com toda essa  falta de ação. El@ me bota para fora com todo o desafeto e silêncio. El@ me expulsa com a singularidade escandalosa das mentiras, com a trivialidade das respostas, com a rudeza da palavra seca e morta.
Durante nove anos eu estive ali. Durante nove, (“não dez”, como me corrigia quando eu orgulhosa-bobinha quase-mentia sobre o nosso tempo de vida…E  isso eu também nunca entendi...) anos e meio. Precisa(mente).


Agora, el@ acorda pela manhã,  abre e fecha a porta - quase constrangida – e vai ao banheiro e silencia.
Porque são 07:07 da manhã e estou aqui, com essa infâmia no peito.
Escrevo porque não sei mais o que fazer. POrque escrever me faz chorar essas dores que viraram um rio caudaloso e lento. Porque …sei lá, escrevendo posso ir embora, posso dizer o que penso, porque me fortaleço. POrque eu não preciso mais me enganar…  


El@ não consegue mais. Eu sei. Porque quando eu ansiei por outra coisa, quando eu cansei de ser o cadáver no armário del@, el@ começou a não conseguir mais, porque é mais fácil me deixar ir. E isso para mim foi e- é- e-será o imperdoável…Deixar-me ir.  Não lutar com os demônios que dormem sob o travesseiro.
E deixar-me ir me soa como uma senhora de uma filhadaputice.


Mas também...o que há para cobrar?
Vou-me eu.

Resposta ao e-mail do amigo ferido

Hmmm…Belo e querido menino… tudo que vi, li em vermelho, porque foi feito de carne e sangue e medo e desejo e pensamento…
Ando sem palavras mansas para dizer. Ando coberta de dúvidas e mãos pequenas e pesadas de Tristeza cobrem meus olhos. O amor-meu companheiro, agora ali, aqui,acolá, anda moribundo, cavando buracos ao redor de mim, como pequenas covas,…dois palmos, um, três…
Faço o caminho oposto do teu. Sou convidada a me retirar. Vender imóveis, terrenos. Dissipar convívios. Esquecer aromas. Vender a casa, o quarto…a cozinha. O banheiro. Vender, separar.
“A gente precisa de paz. Mas eu quero continuar a relação… Eu não quero que você vá…embora…de mim…” Me disse.
Não posso temer, querido. Não temo tudo-agora-se-precipitando. Química em ação.
Não temo.
Agora é onde nasce tudo novo. É onde a vida se estreita e se encorpa – depois vira mar. E não temo. Há, sim, lá no fundo de mim, um eco grave: “Ah! Então vem! Vem!Quero te levar para outro lugar! Vem, vida. Vem, novo!”Lá sou cheia de versos de verde esperança. A(h)(s)sim, um lugar assim em mim. E espero estar nele, cada vez com mais frequência.
Por enquanto, ainda sou operadora de farol, vendo a luz se chocar contra o horizonte negro, iluminando aqui-depois-ali. Aqui Depois Ali. Atenta, de olhos apertados, lendo geografias, ansiando continentes, varrendo, buscando, …E não vou desligar o farol para que as gentes cheguem até mim em acidentes austeros.Tenho que iluminar mais longe quebrando finitudes.
Desafios…Desafio…. Deixar o farol e buscar os mares.
Amei como poeta. Amei, amei, amei. Como adoradora.
Ido-la-tra-da-men-te.
Sofri como tal.
Dor de desamparo. Indecente. Escalafobética.
Solidão do tamanho da tristeza.
Decepção gélida e cálida.
Eu - sem saber como fazer diferente: impotente.
Tudo se sebressaltando, se acontecendo, se derramando… Niagara Falls, Gocta, salto Ángel,…
Misto: levo a sensação de abandonar o amor e sentir a violência do sequestro dele de meus braços.
Misto de mim. Deixo-me enlutar, deixo ele ir. Let go para começar de novo outra coisa. (Só não sei se saberia – sinto - ser ainda del@, assim do jeito que sou, fui, era, temo ser - não ser - já sou…fui.)

E finco os dedos fundo  –  arado lavrando a carne.  ”Não deixo o amor ir. Não deixo…Não vou deixar ele ir, se esvair…”
Anda assim: no fundo de mim.

 Mil beijos, querido amigo.